E fizemos a 1ª penitenciária! Eu e a escritora Valéria Rezende estivemos em Porto Velho, Rondônia, para desenvolver diversas oficinas de leitura e literatura, tanto para os internos quanto para os agentes. Esse trabalho faz parte do projeto “Uma janela para o mundo – Leitura nas prisões”, realizado pela UNESCO – ONU, em parceria com os Ministérios de Justiça, Cultura, Educação e Desenvolvimento Agrário. Nesse ano ainda iremos visitar as Penitenciárias de Catanduvas no Paraná, Campo Grande no Mato Grosso do Sul e Mossoró no Rio Grande do Norte. A experiência da primeira etapa foi bem produtiva pra gente, os mediadores e creio que para os internos e para os agentes federais. Só não tivemos tempo de dar uma volta pela cidade, pois os três dias que estivemos por lá foram praticamente dentro da penitenciária. Entrávamos às 8h e só saíamos ás 19h. O calor, pra mim, era insuportável, lá dentro então nem se fala. E pra ajudar o horário de lá é de duas horas a menos que em Sampa. Tava com a rotina totalmente descontrolada. Imagine então eu lá dentro, sem celular e sem relógio? Me sentia um deles, mas claro, a agonia nem se comparava, pois sabia que a qualquer hora, se eu quisesse, eu poderia sair. Uma coisa que me chamou bastante a atenção é que os funcionários efetivos de lá (policiais, assistentes sociais, médicos e pedagogos) são todos concursados e de fora do Estado de Rondônia. Todos deixaram casas, amigos e familiares para trás para ir trabalhar dentro de uma penitenciária na zona rural, privado de tudo aquilo que o cercou por anos e anos. Eles não conseguem fazer amizades porque como agentes do sistema penitenciário federal, têm que tomar cuidado e também por outros motivos: Rondônia faz fronteira com um país que, segundo pesquisas,