Assim como a morte suspende suas atividades e para de matar, Saramago suspende seu comunismo e resolve falar de amor em “As Intermitências da Morte”. Depois de ter lido, quase numa sequência, quatro livros do autor, me vi chateado ao terminar a leitura dessa obra. Creio que, embalado pela leitura de outros livros, me vi empolgado e dei com a cara na parede. A ideia foi boa, mas parece que Saramago foi derrubado por ela ao não desenvolver de forma gostosa, onde a leitura fluiria sem problemas, igual nosso dia-a-dia, sabendo que não somos eternos e que algum dia iremos morrer. No começo a leitura é boa, mas antes de chegar na metade, fica cansativa demais, e as belas citações filosóficas que Saramago tem como marca, aqui se tornam um saco. O enredo é chamativo: A morte resolve suspender suas atividades e a partir do dia 1º de janeiro ninguém morre no país. Como conseqüência, aparecem centenas de problemas, entre eles econômicos e sociais. De início as pessoas acham aquilo uma benção; Que beleza! A eternidade. Ser imortal. Porém, os pontos negativos são superiores aos positivos. É aí que a morte consegue atingir seu objetivo: o de mostrar aos ingratos seres humanos que ela não é tão ruim quanto parece, e que sem ela, estaríamos num caos permanente. É só imaginar que você vai completar 200 anos, todo enrugado, cheio de dores, sem enxergar, envergado, sem se mover, só o osso, sendo rejeitado por parentes e até pelo asilo, e que mesmo o seu coração quase parando, você não morre. Pode ter certeza, a coisa que você mais vai querer é a morte. Depois que as pessoas entendem o recado, a morte volta a matar, só que com um diferencial: dessa vez as pessoas serão avisadas uma semana antes de