Passara a noite em claro. Não sabia se tinha feito a coisa certa. Há um mês seu cunhado tinha feito o pedido. Aquilo poderia mudar sua vida. Vinte por cento do dinheiro roubado seria dele, pra isso só precisava passar a rotina do banco e, na hora certa dar uma de vacilão, como não soubesse de nada. Pensou, pensou e pensou. Pensou demais. Havia ponto negativo? Sim, claro, se dar errado haverá ponto negativo pro resto da vida. Mas, dando certo, o ponto positivo será mais que positivo. Sairia daquele quartinho em que vive de favor há sete anos, com sua esposa e seus três filhos. Ela e as crianças dormem na cama e ele, mal dorme numa rede pendurada acima da sua família. Os móveis, quase todos ganhos ou comprados na loja de usados, mal cabem naquele cômodo com cheiro de mofo. Barata ali já faz parte da família. O menino mais novo nem se incomoda com elas, usa-as como brinquedo. Luciano têm muitos amigos e parentes que querem visitá-lo, mas, ele sempre adia o convite com uma frase típica do povo brasileiro: “Qualquer dia eu levo vocês para um almoço lá em casa”. Mas esse dia nunca chega. Agora poderia chegar. Se o assalto que ele concordou em ajudar der certo, aí vai convidar o pessoal para um churrasco na casa nova. Não sabe ao certo, mas o assalto pode render até duzentos mil reais, dos quais, quarenta mil virá para o seu bolso. Aceitou entrar no esquema. Trabalha numa agência do maior banco existente no país. Ali, é segurança há mais de três anos. Por isso conhece tudo e todos. Passou duas semanas seguidas preparando o croqui da rotina da agência. Era metódico no que fazia e fazia bem feito. Tanto, que quando a quadrilha de seu