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Texto inédito

Eu só queria empinar pipa O leitor não imagina a minha situação e nem em que circunstâncias eu estou narrando este texto. Mas vou contar. Havia entrado de férias do serviço. Estava sem grana, ou melhor, até possuía dinheiro para uma boa viagem, mas tinha acabado de comprar um terreno junto com minha noiva, e tinha de economizar para a construção que começaríamos dali há dois meses. Então resolvi curtir meus trinta dias de uma forma diferente. Tinha minha bicicleta, era só limpá-la, passar um óleo na corrente e nos rolamentos das rodas, encher os pneus e sair por aí. Porém, havia um primo meu, de três anos de idade que adorava ficar comigo. E eu gostava pra cacete do moleque. Foi identificação mútua. Nos finais de semana eu pegava-o e saía de role. Íamos na doceria, chupávamos sorvete, jogávamos vídeo-game e tudo mais. Era um pedaço de gente que sempre alegrava-me com sua inteligência. Não me chamava pelo nome, mas sim pelo grau parentesco. Não saía o “R”, então era assim: – Ô Pimo. Que criança fantástica. Bom, o fato é que percebi que ele adorava pipas. Vivia olhando para o céu e, quando via um avião ou pássaro, gritava: – Ó a pipa, ó a pipa. Uma vez passamos num campinho onde alguns meninos empinavam seus papagaios. Pedi para um deles deixar o meu primo pequeno segurar um pouco a linha que mantinha a pipa no ar. Quando o Gabriel segurou na linha, senti que aquele foi o momento mais feliz da vida dele. Seus olhos brilharam, e ele nem conseguiu sorrir de tanta fascinação. Sem dúvida, ele sentiu o que toda criança sente num momento como esse; a pipa no ar balançando de um lado á outro, o vento soprando, a liberdade presa numa linha corrente, o

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Poesia

Maria E agora Maria? Que acordou cedo, Já fez o café, Ouviu no rádio Transporte não tem. No trabalho atrasada, Mandam voltar. E agora Maria? Cadê o metrô? De greve entrou, Carro não tem, Nem dinheiro também, Pra pagar o táxi Maria. E agora? Se você voltasse, À cama ninasse, Mas você não volta Maria, Você é dura. Mulher de labuta, Não deixa por menos, faz e acontece, Mas sem transporte? E caso não vá, Amanhã há outra, Em seu lugar. E sua atitude, Onde é que ela está? Onde Maria? Não chega o marido, Madrugada se finda, Dormem os filhos, E o trabalho Maria? Por causa da greve Tudo acabou? Você é forte mulher, Dá-se um jeito Corre atrás, Mas correr pra onde? Sacolinha!

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Conto novo

Zé Moraes e a política pessoal Então foi assim que tudo aconteceu. José Moraes tinha apenas 22 anos quando decidiu entrar na política e fazer diferente. Isso, porque odiava ver as besteiras que os partidários cometiam. Parecia que nada dava certo e o país não crescia. A idéia ocorreu quando estava numa lotação e ouviu a conversa de dois sujeitos sobre o novo escândalo na política. Um deles dissera: – O pior, é que vai ser sempre assim, entra um e sai outro e nada muda. Não chega um, pra fazer diferente. Fazer diferente. Essas palavras ficaram em sua cabeça: Fazer diferente, fazer diferente, fazer diferente, fazer diferente… E ficou pensando em algo novo. Um desafio em seu caminho. Pensou tanto, que quando caiu em si, já havia passado do ponto em que ia desembarcar. Quando desceu, viu que teria de andar uns 10 minutos para chegar ao local onde deveria saltar. Começou a caminhar resignado. Na verdade, aqueles 10 minutos de andança, não significavam nada perto do desafio que tinha pela frente. – Será? Perguntou pra si mesmo, espantando o transeunte que passava ao seu lado. E começou a aceitar aquela súbita idéia de ser o político diferente. Na casa da namorada, quase não abriu a boca, contrariando o jovem falador que sempre fora. Em resposta ás perguntas que lhe jogavam, só dizia: – Nada não. E passou todo o domingo assim, alheio ás conversas dos sogros e cunhados, alheio ao beijo da companheira e alheio ao filme que ela alugara. Na manhã do dia seguinte, José Moraes foi o primeiro aluno a chegar na universidade onde cursa jornalismo. Quando os portões abriram, ele correu em direção á sala de “Apoio ao Estudante” que era coordenada pelos próprios alunos e tinha o objetivo de adquirir benefícios aos mesmos. Ainda

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Mini conto

Scariottes E no dia em que Jesus partiu o pão, o lazarento já estava lá. Sacolinha!

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Escritor Sacolinha

Sou Sacolinha, um escritor nascido em São Paulo, reconhecido por minhas obras que incluem romances e contos. Além de escrever, atuo como líder cultural, promovendo eventos como o 1º Salão Internacional do Livro. Levo minha paixão pela literatura a locais incomuns, ministrando palestras e oficinas em prisões, favelas e associações de moradores. Meu compromisso com a promoção da leitura me levou a colaborar com projetos inovadores da UNESCO e Ministério da Justiça!

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