capa do meu 2º livro Este texto vai fazer parte do livro “85 Letras e um Disparo”. Enquanto não chega o dia 08 de agosto, vai lendo aos poucos, em pequenas doses. Yakissoba Cheguei cedo naquele dia. As contas já estavam atrasadas e a geladeira, vazia, há muito vinha pedindo alimento. Precisava vender no mínimo uns quatro exemplares do meu novo romance. Desembarquei no metrô Consolação às 20h. Segui sentido metrô Brigadeiro. No caminho ia parando nos botecos e, com um jeito educado e brincalhão, sentava nas mesas e oferecia o exemplar: um “não” aqui, outro “não” ali… Nada de errado, o começo é assim mesmo. Cheguei ao final da avenida Paulista. Passei para o lado contrário. Bom, pelo menos ali haviam duas universidades; poderia rolar algumas vendas. Estudantes instruídos, adeptos da leitura, acostumados a comprar livros de alto custo… Era o lugar certo. Na primeira universidade os estudantes estavam em intervalo; alguns conversavam sentados no escadão, outros namoravam em frente à lanchonete. Ensaiei algumas palavras e rumei para o escadão. Trinta abordagens. O resultado foi a minha saída de cabeça baixa daquele recinto. E se elogio fosse dinheiro sairia dali de bolso cheio. A fome começou a roçar o meu estômago. Só haviam dez reais na carteira e com isso eu não conseguiria comer nem o churrasco vendido na calçada, já que o ditado capitalista diz: “Quem anda pela Paulista é quem tem dinheiro”. Pobre de mim. Passando em frente à segunda universidade, abordo três estudantes. Apenas um deles me dá atenção, enquanto os outros dois se entretém tirando fotos com o celular. Depois de ler a orelha do livro, o rapaz de voz efeminada agradece e diz que está sem dinheiro: – Nós somos estudantes camarada; estudante não tem grana. Saí resmungando: “Não têm dinheiro, mas ficam trocando