E agora vamos falar do meu quinto livro. Mas dessa vez vou deixar outro falar por mim: com vocês, resenha de Escobar Franelas. MANTEIGA DE CACAU (Sacolinha) Ler “Manteiga de Cacau”, do escritor Sacolinha, sacramentou uma idéia que já alimentava desde outras leituras do autor. Ademiro Alves – o nome civil do escritor – representa hoje, no panteão dos grandes escritores da dita “literatura marginal”, um dos vetores essenciais da produção literária nacional. Dono de uma escrita fluida, de uma antena que capta os mínimos movimentos de seus personagens de maneira muito perspicaz e de uma imaginação que dialoga com todas as “subjacências” a nós permitidas pela plenitude da Arte, Sacolinha, nos doze contos que compõem “Manteiga de Cacau”, mostra-se à vontade no paraíso das letras, sem perder nunca a vivacidade primordial, de alguém atento e apaixonado pelo seu ofício. Resumidamente, poderíamos dizer que o trabalho de Sacola em “Manteiga” é um estudo do homem enquanto ser social, dotados dos bons e maus predicados inerentes à vivência humana. Assim, não somos surpreendidos por super-heróis, mas pela certeza de que todos ali podem ser encontrados na fila do mercado, num esbarrão na praia lotada, dentro do metrô, ou nessa cadeira ao lado, no consultório do dentista. Os cinco contos iniciais, enfeixados sob o subtítulo enigmático “Coisas da Cabeça e do Orgulho”, estudam o homem e a solidão. Não a solidão dos sorumbáticos ou suicidas mas a solidão do homem que em certo momento tem que tomar decisões e não pode delegar a mais ninguém este poder. Assim, desde o jovem sistematizado (vitimizado pelas circunstâncias?) Mendel do primeiro conto homônimo, passando por Adnalla (ou melhor, Pedro, o zen). Ou talvez o “pai absoluto” encarnado em “Seu Carlos, é pelo bem deles dois e do bom andamento do serviço público. Só o senhor