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POEMA*

De origem jornalística À Manuel Bandeira e seu personagem “João Gostoso”. Zé Negão, ajudante de pedreiro, Andava na madrugada de sábado, Na saída do baile pela polícia foi abordado, Revistado Interrogado Surrado Seu corpo foi encontrado Pelas crianças Que brincavam no terreno ao lado Cheio de mato Próximo á avenida do Estado, num terreno abandonado. Sacolinha * publicado nos Cadernos Negros vol. 29 – poemas 2006

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Conto de mesquinharia

Intolerância DE SIS TI. Não dava mais menina. Acordei de manhãzinha, liguei pra minha mãe e pedi pr’ela me buscar. Arrumei minhas coisas e ZAP. Fui. Quando ele acordou eu já tava looonge. Agora imagina: eu, desprendida desse jeito, adoro uma farrinha, uma cervejinha… Ficar com aquele parasita? Não deu amiga. Vi que aquilo não era pra mim. Depois que ele entendeu ligou pra minha pessoa, resmungando que eu nem tinha se despedido. O que ele queria? Beijinho, sexo e café da manhã na cama? Ah, não vigia não pra vê. Deixei tudo lá, só peguei minhas roupas e meus cd’s, não quis mais nada. Essa vida não é pra mim. Esperta foi minha prima, faltando dois dias pro casamento dela, cancelou tudo. Ainda ligou para o noivo e disse que não iria casar porque não gostava dele. Ririririri. Só rindo mesmo, né? Agora imagina, depois de quatro anos juntos é que ela foi avisá-lo disso. Pode? Ah, eu sei que eu sou eu. Num gostei de uma coisa, renuncio. Num sô obrigada. Mando tudo pro inferno. Esse emprego mesmo, onde já se viu? Folguei ontem que era sábado pra trabalhar hoje. Uhhh, ninguém merece. Num fiz nada, fiquei pra cima e pra baixo o tempo todo. Bebi duas cervejas lá no bar e fiquei zanzando igual cachorro faminto atrás de algo, sem necas de catibiriba pra fazer. De tarde fui com meu irmão no mercado, aí tomamos uma cerveja e pronto. Foi assim a minha folga. Tomara que hoje o ambulatório esteja funcionando. Vou fingir que tô passando mal só pra não atender. DO MIN GO, UM SOL DE SSE, o povo tudo na rua se divertindo e eu LÁ, com o fone no ouvido OUVINDO reclamações dos filhinhos de papai. Ah, nem morta minha fia. Sexta eu fui

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Argumentos

Eu, prostituta?* Porra nenhuma. Nome mais feio esse que arrumaram pra gente. Não tinham um nome melhorzinho não? Dizem que este nome tem a ver com o Marcel Proust, aquele do tempo perdido. Hum, se for mesmo então tá bom, mas por quê? Será que ele vendia prazeres também? Ouvi dizer que os escritos do Proust levam a pessoa à loucura… Ah, sim, é verdade, deve ser por isso, a gente também leva o homem à loucura. Têm uns que chegam aqui de cabeça baixa, com a auto-estima lá no sapato, tadinho, a gente vê no olhinho dele a tristeza. Na hora do programa a gente reverte a situação. Já passei por cada uma, só vocês vendo mesmo. Há uns que não sabe nem o que diz, fala que me ama, que eu sou tudo na vida dele, linda, gostosa, tesão… E o cara nem me conhece. Recebo convites o tempo todo; é um que me chama pra morar junto, outro que quer namorar, até convite de casamento eu já recebi. Vê se pode. É tanta coisa que a gente faz pra sociedade e ela vem com um nome ridículo, “Prostituta”. Cora Coralina declarou ser a minha irmã sabia? É, você não leu não? Chama-me de prostituta e você mesmo não lê. Eu leio, e não pense que sou fã desses livrinhos de banca de jornal, as Biancas, Julias e Sabrinas, isso eu deixo pras depressivas. Minha leitura é outra. Pois é, como eu estava falando, a Cora Coralina fez uma poesia para nós, “Mulher da vida, minha irmã”, nessa poesia ela fala tudo sobre a gente, por isso acho que todas as pessoas de todas as línguas devem ler esta poesia da Cora, assim vão aprender a respeitar a gente que muito faz pra sociedade. Você ri é. Então

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Força

O jeito é não medir esforços para conquistar aquilo que se quer.

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Mais inédito ainda

Entre o sim e o não! Passara a noite em claro. Não sabia se tinha feito a coisa certa. Há um mês seu cunhado tinha feito o pedido. Aquilo poderia mudar sua vida. Vinte por cento do dinheiro roubado seria dele, pra isso só precisava passar a rotina do banco e, na hora certa dar uma de vacilão, como não soubesse de nada. Pensou, pensou e pensou. Pensou demais. Havia ponto negativo? Sim, claro, se dar errado haverá ponto negativo pro resto da vida. Mas, dando certo, o ponto positivo será mais que positivo. Sairia daquele quartinho em que vive de favor há sete anos, com sua esposa e seus três filhos. Ela e as crianças dormem na cama e ele, mal dorme numa rede pendurada acima da sua família. Os móveis, quase todos ganhos ou comprados na loja de usados, mal cabem naquele cômodo com cheiro de mofo. Barata ali já faz parte da família. O menino mais novo nem se incomoda com elas, usa-as como brinquedo. Luciano têm muitos amigos e parentes que querem visitá-lo, mas, ele sempre adia o convite com uma frase típica do povo brasileiro: “Qualquer dia eu levo vocês para um almoço lá em casa”. Mas esse dia nunca chega. Agora poderia chegar. Se o assalto que ele concordou em ajudar der certo, aí vai convidar o pessoal para um churrasco na casa nova. Não sabe ao certo, mas o assalto pode render até duzentos mil reais, dos quais, quarenta mil virá para o seu bolso. Aceitou entrar no esquema. Trabalha numa agência do maior banco existente no país. Ali, é segurança há mais de três anos. Por isso conhece tudo e todos. Passou duas semanas seguidas preparando o croqui da rotina da agência. Era metódico no que fazia e fazia bem feito. Tanto,

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Escritor Sacolinha

Sou Sacolinha, um escritor nascido em São Paulo, reconhecido por minhas obras que incluem romances e contos. Além de escrever, atuo como líder cultural, promovendo eventos como o 1º Salão Internacional do Livro. Levo minha paixão pela literatura a locais incomuns, ministrando palestras e oficinas em prisões, favelas e associações de moradores. Meu compromisso com a promoção da leitura me levou a colaborar com projetos inovadores da UNESCO e Ministério da Justiça!

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