Eu, prostituta?* Porra nenhuma. Nome mais feio esse que arrumaram pra gente. Não tinham um nome melhorzinho não? Dizem que este nome tem a ver com o Marcel Proust, aquele do tempo perdido. Hum, se for mesmo então tá bom, mas por quê? Será que ele vendia prazeres também? Ouvi dizer que os escritos do Proust levam a pessoa à loucura… Ah, sim, é verdade, deve ser por isso, a gente também leva o homem à loucura. Têm uns que chegam aqui de cabeça baixa, com a auto-estima lá no sapato, tadinho, a gente vê no olhinho dele a tristeza. Na hora do programa a gente reverte a situação. Já passei por cada uma, só vocês vendo mesmo. Há uns que não sabe nem o que diz, fala que me ama, que eu sou tudo na vida dele, linda, gostosa, tesão… E o cara nem me conhece. Recebo convites o tempo todo; é um que me chama pra morar junto, outro que quer namorar, até convite de casamento eu já recebi. Vê se pode. É tanta coisa que a gente faz pra sociedade e ela vem com um nome ridículo, “Prostituta”. Cora Coralina declarou ser a minha irmã sabia? É, você não leu não? Chama-me de prostituta e você mesmo não lê. Eu leio, e não pense que sou fã desses livrinhos de banca de jornal, as Biancas, Julias e Sabrinas, isso eu deixo pras depressivas. Minha leitura é outra. Pois é, como eu estava falando, a Cora Coralina fez uma poesia para nós, “Mulher da vida, minha irmã”, nessa poesia ela fala tudo sobre a gente, por isso acho que todas as pessoas de todas as línguas devem ler esta poesia da Cora, assim vão aprender a respeitar a gente que muito faz pra sociedade. Você ri é. Então