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Crônica…
Crônica de um jovem salvo pela literatura! Sou quem sou, graças aos livros. Se não fossem eles eu estaria a sete palmos abaixo da terra. Nasci numa família na qual a leitura vinha em último plano. O máximo que acontecia era um dos meus tios que, aos domingos, durante o café da manhã abria um jornal, o extinto Diário Popular, e ficava ali a folhear durante horas. Mas isso não durou muito, pois ele acabou ficando desempregado e o primeiro corte de gasto foi o jornal. Um outro tio que hoje é padre, fora durante alguns anos, coordenador da sala onde estudava e muito amigo dos professores e diretores. Sendo assim, ganhava muitos livros. Às vezes chegava em casa com uma caixa fechada de livros novos. E eu nem aí com nada. Só queria mesmo era saber de empinar pipa, jogar bolinha de gude, rodar pião, brincar, brincar e brincar. Lembro que o primeiro livro ao qual fui obrigado a ler (e não li) foi indicado pela professora de literatura quando eu estava na quinta série. Ela passou o livro no início do bimestre e, no fim dele, iria dar uma prova. O tempo foi passando e nada de eu ler o livro. Até que num domingo, que antecedia a prova, eu resolvi pegar no livro. Antes, porém, havia perdido a pipa que empinava. Então lá fui eu, naquela tarde calorosa, em que o céu azul era completado pelas pipas e pelos pássaros que voavam no ritmo do vento. Peguei o livro, observei a capa, vi a página de rosto, li a primeira página, passei para a página do meio, e… Olhei para um lado e para o outro, fui até a página final, li e fechei o livro satisfeito. – Bom, dá pra tirar metade da nota. – Pensei
CAMINHOS CRUZADOS*
*Conto retirado do livro 85 Letras e um Disparo – 2006 Verão de 1994. Três horas da tarde. A partida havia parado por conta do calor de 42º que castigava as cabeças dos 22 jogadores. Kauê saiu calmamente do campo, conversando com Tico, zagueiro do seu time. Firmino, jovem de 26 anos que até então assistia a tudo, abordou Kauê: – E aí Negão, posso conversar com a sua pessoa? – Perguntou Firmino. – Pode não, deve. Num sou nem uma estrela pra você perguntar isso – Responde Kauê. O zagueiro cumprimentou os dois e foi embora. Firmino olhou firme nos olhos de Kauê e disse: – Matei, tô roubando, cheirando e bebendo. E aí, que tu tem pra mim dizer? Kauê tentou raciocinar: como assim, por que, o que eu falo? Acabou por responder: – Firmino, que história é essa rapá, tá louco é? – Que louco o quê Negão, foi o que aprendi a fazer. – Porra Firmino, tanta coisa pra aprender e você foi aprender logo isso? Kauê e Firmino cresceram juntos no Morro do Culhão, Rio de Janeiro. Os dois têm a mesma idade. Presenciaram muitas coisas junto, entre elas, o destino das pessoas que entraram na vida do crime através do tráfico de armas e drogas. O pacto que fizeram na adolescência era de que nenhum deles iria se envolver com qualquer tipo de coisa que levasse ao caminho do mal. É claro que não viraram santo, mas seguiram à risca este pacto. Aos dezessete anos Kauê começou a compor sambas enredos para alguns blocos carnavalescos. O primeiro enredo de sua autoria foi o escolhido por uma escola. Nem precisou distribuir a letra xerocada e muito menos lotar um ônibus para torcerem pro seu samba no dia da seleção, como muitos faziam. A partir daí,
Satisfação
E aí pessoal? Beleza? Descupem a demora da postagem, mas essa semana que passou não foi brincadeira. Quero dizer que o que foi prometido será cumprido. Daqui á pouco irei publicar os textos de que falei num post mais abaixo. É que estou entrando de férias e vou ficar uns quinze dias sem atualizar este blog, por isso vou publicar vários textos meus e algumas imagens para deixar aqui enquanto estou trabalhando nos meus próximos livros.
COLE
Saudações. Nesta quinta estarei em Campinas, onde ao lado de Sergio Vaz, Dinha, Allan da Rosa e Buzo, discutirei sobre a temática “Literatura Periférica”. Esta atividade faz parte do Congresso de leitura – COLE – que está ocorrendo na cidade de Campinas desde 10 de julho e termina amanhã. Quem estiver por lá dá uma passada no stand da Ação Educativa, que lá, além dos materiais da entidade, você ainda encontra diversos livros que versam sobre o cotidiano da periferia. Abraços!