Entrevista na íntegra (Matéria de capa – Jornal Boletim do Kaos – julho 2009) – Entrevistador: Alexandre de Maio 1) Você escreve buscando um estilo literário, nesse campo qual seria sua principal característica literária? Sacolinha: Busco a qualidade literária, sei que posso fazer um livro em três meses, mas depois de lançado ele vai ficar na rua por muitos anos, aí se não saiu bom, não adianta chorar mais tarde. Meus escritos tem cortes cinematográficos, passa de um momento a outro como a um flash, e muitas vezes deixa aquele gosto de quero mais. 2) Você se diz em crise e solitário, hoje com tanta atuação cultural, casado, com filho pra chegar, você tem tempo pra crise? Em que situação ela aparece? Sacolinha: O buraco é mais embaixo. Essa crise de que falo é do Sacolinha com o próprio Sacolinha. Sinto muito medo da minha pessoa. Procuro adiar o momento de sentar em frente ao computador porque tenho medo do que possa surgir. Nunca sei o que meus dedos vão digitar, receio que em algum momento eles possam colocar pra fora todos os meus desejos, o que eu penso de verdade e as coisas que tenho vontade de fazer. Isso causaria um caos ainda maior em minha vida e ao meu redor. Na hora em que escrevo sempre escondo a verdade, não sei se isso é ser mentiroso ou covarde, sei que vivo enganando meus leitores. Depois que a arte passou a ser uma extensão de meu corpo, fiquei com mais medo da vida, das pessoas e de mim mesmo. Sinto saudades do tempo em que eu era criança e nem sabia o que era o mundo. Por outro lado sou muito corajoso em revelar isso tudo. 3) Sua filha está para nascer, isso já alterou sua literatura? Sacolinha: Por